Poesias
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Sem Título

Levanta, bastante frustrado
Foi-se mais que uma hora
Olhos ardendo, coração apertado
Quase sem querer, chora

Tem aquela vontade de falar
Mas não consegue expressar à altura
É apenas um poeta de bar
Incansável trovador da loucura

Não consigue conter nesse peito
Tudo o que a boca deixa guardado no crânio

Se o mundo fosse vago, difuso
Como as emoções que sente
Então seu cérebro confuso
Acharia um caminho coerente

Mas ele sofre desse mal
De não existirem palavras suficientes
Ou será bom que esse anormal
Não possa se expor completamente

Agradeçamos cada idéia
Que a boca deixa guardada nesse crânio

Postado por Tranquilo em 15:28

Desespero by/ Armando Moya

O protagonista sofre por um amor secreto. Numa noite liga para sua amada em busca desesperado por uma chance. O protagonista encontra-se bêbado, meia noite numa esquina, sentado embaixo de uma marquise, ligando para aquela que deseja. Ele tenta faze-la compreender que sempre demonstrou o sentimento, infelizmente a amada nunca tinha se colocado como musa, só como leitora e espectadora das poesias, colocando o poeta em crise por não ser compreendido.

- Alo.
- Alo. ..., é você?
- Sim. O quer?
- Você não entende.
- O que?
- Não finja que as palavras passaram sem serem percebidas.
- Que palavras?
- Você viu tudo. Está tudo lá preso.
- O que?
- As poesias.
- Que poesias?
- Se esforce.
- Em que? Fale logo. Não estou entendendo nada. Desembuche.
- Você não entende uma palavra! Eu gosto de ti! Abra mais espaço!
- Acho melhor...
- Não ache. Dê-me uma única chance. Esqueça esse passado.
- Como esquecer? Você bebeu?
- Substituindo-o por algo recente, novo.
- Fácil, não é? Onde você está?
- Mais do que parece.
- Como?
- Ao invés de esperar que se apaixone, tente se entregar ao que eu tenho a te oferecer.
- E o que você tem a me oferecer?
- Eu sou teu anti-herói, mas não antagonista. Sou oposto em diversas coisas que seu desejo é. Mas garanto que minhas intenções são boas e que farei por onde para melhorar.
- Mas não é tão fácil assim. Onde você está?
- Talvez seja mais fácil do que você possa imaginar.
- Entenda que não é fácil pra mim tomar atitudes assim.
- Entendo, mas não compreendo o medo de tentar.
- Percebo que teu passado ecoa, mas você apesar de deseja-lo não o quer.
- Isso eu sei.
- Eu só quero ser aquele...
- Você bebeu?
- ... que vai ocupar o vácuo que faz esse eco.
- Você se acha capaz?
- Sinceramente?
- Sim.
- Não.
- Então o que pretendes?
- Tentar. Apenas e simplesmente.
- Por que?
- Te desejo. Secretamente. Muito.
- Essa parte ainda não entendi.
- Nem eu.
- Como? Onde você está? Você bebeu? Fumou?
- Foi algo que veio crescendo. E vendo como as coisas andam mais parece ser um câncer.
- Que horror.
- Sim, é como se esse sentimento não fosse me trazer nada de bom.
- E você sofre?
- Muito.
- Mas eu não posso fazer nada.
- Poderia mas não quer, ...
- Por favor, entenda.
- ... prefere ser conformista. Sentas e espera que com a dor chegue a anestesia. Eu te ofereci uma possível...
- Pare com isso!!!
- ... salvação. Juro que por ti faria tudo o possível dentro do meu humilde alcance.
- CHEGA!!!
- Eu não fumo faz muito tempo.
- O que você quer?
- (o telefone é desligado)

O bêbado senta-se debaixo da marquise por 2 minutos. Sem conseguir engolir o choro toma rumo ao ponto de ônibus. Escolhe a linha que não passe perto da casa dela e volta para casa desolado.

Postado por Armando Moya em 03:19

Sou Brasileiro by/ paztor... X

Estou cansado daqui.
É tanto tédio, vou me mudar.
Mas sair daqui é privilégio
Que não consigo alcançar.
Dizem que a vida é fácil na TV.
A minha casa está de portas abertas pra visitas
Mas ninguém quer me ver.

Eu acreditei em várias promessas.
Cai na politicagem mais barata.
Eu to cansado e quero sair dessa.
Sofrimento já me basta.

Eu invado a terra.
Quero plantar.
Eu faço guerra.
Quero trabalhar.
Eu tenho família.
Muitos filhos.

Eu tenho um peso pra tentar ser digno,
Mas tudo o que faço é remar
Contra a maré alta.
Nesse país,
Um homem honesto está em baixa.

Ou é desgraça,
Ou é alienação.
Tudo parece ter graça
Na frente da televisão.
E quando a prece vai pro céu,
A chuva vai pro chão.
E quando a prece vai pro céu,
Deus segure a inundação.

O que me resta além de ser brasileiro?
O que me sobra além desse velho pandeiro?

Postado por Armando Moya em 18:24

O Fiel by/ Armando Moya & paztor...X
(última opção é foda... nem pra ser o quarto ou quinto.... último é foda)

Sou abrigo para a chuva.
Posso proteger-te de ficar encharcada
Mas se você sair assim que parar de chover,
Não vou poder proteger teus pés.

Sou motorista dos teus desejos.
Infelizmente não os realizo.
Cabe-me apenas o papel de entrega-la
Onde quer que peça.

Sou encosto pra teu descanso.
Acompanho tuas loucuras de longe
E sou chamado quando necessário,
Quando cansas.

Sou teu casaco.
Abraças-me quando precisas,
Quando os dias esfriam e as noites gelam.
Respondo para melhor conforta-la.

Sou tua última opção.
Quando o mundo deixar-te para trás.
Todos e tudo tornarem-se nunca mais.
Serei a última esperança.

Sou teu fiel.
Sigo tuas idéias e concordo com vontades.
Defendo teu nome e por ti carrego cruzes.
Mas ainda sim sou última opção.

Postado por Armando Moya em 18:06

Eu Bato em Mulher

É isso, desisti
Dei um fim ao sofrimento
Companhia pra quê
Se sozinho eu me aguento?

Se elas me querem
Só Pra eu correr atrás
Procurem outro otário
Esse aqui não quer mais

É sempre assim
Quando eu fico ausente
Quando eu paro de ligar
"Você tá diferente"

Será que não notam
Que delas eu não preciso
E que não mais me importo
Em passar os meses liso?

Vão todas pro inferno
E fofoquem juntas lá
A partir de agora, mulher pra mim
Só serve pra apanhar

Postado por Tranquilo em 22:19

Trágico Fim by/ Armando Moya

Vamos nos separar.
Usaremos uma linha imaginária para marcar.
Fique com o copo e eu com a água.
Mostraremos ao mundo como um amor se acaba.

Eu fico com o filtro e você com o tabaco.
Você com os armários e meias e eu com a cama e os sapatos.
Provemos de nossa racionalidade mostrando como terminar.
Quanto maior o amor, maior o machucado a cicatrizar.

Falsas alegrias no ar.
Fingimos satisfação
Sem ter motivos pra nos orgulhar.
Simples apertos de mãos.

O cinzeiro cheio é resultado do silêncio.
As bocas caladas durante todo o café.
As bocas fechadas até para o beijo.
Não há marca de batom qualquer.

Resultado de nosso orgulho ilimitado.
Tua vergonha e minha insegurança.
No começo era como agora, acabado.
Quem vai ficar com as crianças?

Postado por Armando Moya em 02:57

Incapaz 2 by/ paztor... Armando Moya X
(assumo mesmo)

Um fracasso em pessoa.
Sou capaz das façanhas mais absurdas do mundo.
Me falta malandragem e sorte no amor.
Tenho um destino de imensa solidão.
Satisfaço minhas ambições mais pequenas,
Mas meus grandes desejos são demais distantes.

Reconhecimento por minhas pequenas conquistas são inexistentes.
Incapaz de ter um feito realizado com esplendor,
Vivo as margem do que é de valor e do que é rejeitado.
Sou do tipo que anda na luz mas dorme no escuro.
Homem sem medo e sem coragem.

Invisto minha vida agora no que sou bom:
Inutilidade pública em conservação.
Não levar a sociedade para um futuro melhor,
Nem atrapalha-la.

As esperanças foram demais apostadas.
Mas feitos de valor nunca foram ganhos nem feitos.
Errei demais e continuo a errar .
Sobrarei em esquina com garrafa em punho
Cartas no bolso
E camisa desabotoada.
Serei aquele que machuca a vista
Mesmo sendo invisível.
Passarão por mim sem me olhar,
Mas me tratarão como problema.
Só me resta esperar.

Postado por Armando Moya em 18:24

Incapaz 1 by/ Armando Moya...
(pra uma pessoa... não vou dizer o nome)

Vives procurando defeito em corpo lindo.
Teu espelho não é reflexo da imagem que tenho de ti.
Vejo-te como uma maravilha que ainda será descoberta.
Se dizes que tem erros em traços,
Digo que encontro acertos onde outras erram.

Teus desejos passam distantes do que posso oferecer.
A sensação que tenho é de ser pequeno, incapaz de te satisfazer.
É provável que minha dor de cotovelo seja o mais próximo de conseguir-te,
Mas apesar de errar em tentar algo, persisto no erro.

De ti espero unicamente atenção e carinho.
Pra ti, infelizmente, não tenho muito a oferecer.
Sou limitado e longe de tuas ambições.
A visão que tenho de mim
É a mesma que tens.
Um grande incapacitado.

Postado por Armando Moya em 03:31

by/armando moya

Eu tentei rever a situação e voltar atrás.
Confesso que não queria mas não tive escolha,
Fui pego de surpresa e isso foi contra meu gosto.
A imprevisão me deixou sem escapatória.

Já tinha burlado teus olhares diversas vezes.
Mesmo que sem intenções, eles podiam me pegar.
Descobrir-me dependente me traz muita tristeza
Mas esse é um problema que não consegui despistar.

Nossos medos agora estão concretizados.
Minha falha pode ditar nosso inimaginável fim.
Se for assim, confesso que nunca estarei preparado.
Depois de meus erros, sem você o que seria de mim?

Minhas cartas foram publicadas para todos lerem
Mas você foi a única que não vestiu a carapuça.
Preferi interpretar como um aviso a ser seguido.
Talvez você ainda não saiba de nada e assim nossa história não muda.

Eu sei que me deixo levar mas não há muito o que fazer.
Tudo o que é esperança está depositado em você.
Eu digo adeus mas não boto ponto final.
Eu digo adeus e volto sempre no final.

Postado por Armando Moya em 03:45

(In)acabados by/ Armando Moya
(se sobro... é porquê não tive mais opção... ninguém quer ficar sozinho por querer... mas saiba que pra esquece-la... preciso desistir... confesso que ainda há um medo de ficar sozinho... muito)


Vou te dizer que apesar de não querer isso e estar fazendo contra minha vontade,
Preciso dizer-te que estou desistindo.
Anos se passam e não saímos do lugar.
Demos apenas alguns míseros passos e então nossa caminhada parou.
Soubemos dar a largada mas não conhecemos o percurso e não seguimos adiante.
Sinto ainda vontade de tentar mais uma vez (uma segunda chance).
Mas as minhas oportunidades são nulas se não, negativas.
Eu já nem sei mais porquê crio esperança.
Nesse campo que comprei nem tristeza nasce.
Sobrei com algumas sementes velhas que devia ter plantado lá atrás. Apodreceram.
Mas mais uma vez como era de se esperar, deixei o tempo passar-me e fiquei a ver navios.
Levei dias pra lembrar que a vida não me espera e então levou-te de mim. Fiquei sentado no porto vendo-te ir.
Conseqüências eu pago desde que contigo aprendi a não tomar coragem.
Tratei como irrelevante a necessidade que era tomar atitude. Acreditava que perceberias e agirias.
Mas minha ingenuidade, minha infantilidade, talvez até falta de “bolas” abriram os dedos da minha mão e escorregando perdi-te.
Fui capaz de perder meu sonho.
Eu estraguei meu sonho.
E não me venha dizer que está tudo bem. Sei bem que nessa história eu era o protagonista e o antagonista.
Fiquei acreditando em ti e terminei em tragédia.
Nessa poesia com muitas estrofes, vírgulas e reticências eu não soube interpretar.
Eu não escrevi bem, como nunca escrevi.
Não soube dar um desfecho feliz.
O fim parece não ter chegado.
A impressão dada é que terminamos em aberto,
Como se o tempo fosse solucionar algo.
Mas não,
Foste pra longe.
Nem o tempo nos uniria.
Eu sou aquele tipo de poesia que não tem fim
Mas no final da folha há uma lágrima e umas últimas palavras rabiscadas e mal escritas.
Um poeta que desistiu tamanha falta de vontade
Ou tristeza.
Não me satisfiz com nada e a única chance parece ter sido em vão.
Não há motivos pra chorar.
Não molhe teu rosto.
Eu sou o pecador com um sentimento de culpa na cabeça
Pesando toneladas.
Ainda espero perdão.
Mesmo não havendo solução.
Ainda peço-te perdão.
Confesso que o desespero sugou minhas forças e minhas esperanças.
Senão vier de ti não sobrará mais história.
Continuarei sendo poesia sem fim.
E se tem algo que desejo
É sair dessa vida.
Para provar essa minha vontade.
Espero-te no cais do porto
Voltando pra me dar uma segunda chance.
Torço por nós.
Mas verdade seja dita
Que acho necessário fugir de ti.
Esquecer.

Não me venha falar em dignidade.
Rastejas por outros que não te querem.
Eu sou o mesmo que tuas sombras.
Encontro-me ajoelhado diante de algo inacessível.
A diferença é que usam-te para satisfazer desejos passageiros.
E nem pra essa trabalho barato eu sirvo.

Mudando de pensamento.
Siga teu caminho.
Do jeito que falas, teu barco é grande demais pro meu porto.
Vá procurar teus amores perdidos
Que ao contrário tentarei apaga-la.

Se me sobra poucas palavras
É porquê já tiraste tudo de mim.
Dei-me por inteiro mesmo que sem entregar-me em mãos.

Não me faça discursos mentirosos.
Você serve para ser meretriz.
E ninguém tira de ti esse título.
Preferes ser escrava de um homem que não te compreende
Do que entregar-te ao amor mais sincero.

Você ficará sozinha.
Essa tua aparência boa não durará.
Todos sabemos de teus feitos
E do que é capaz de fazer.
Sofrerás por teus atos porquê quis.
Leve teus homens contigo.
Seja mulher de marinheiro.
Vá fazer tua vida atrás dele(s)
Se esse é teu desejo.

Se represento para ti a escória
É de direito e racional pensar assim.
Ninguém me ensinou a rezar,
Santo nenhum veio me ajudar.
Não contei com milagres nem superstições.
Apenas com tua boa vontade que mais uma vez não veio me acolher
Como nunca me recebeu.

Meu choro mancha minhas folhas
Mas não me incomodo.
Não restará folha nem tinta pra te escrever.
Abdico da condição de poeta se necessário
Pra não ter-te mais como musa.

Siga teu caminho.
O meu trilharei sozinho.
Satisfazendo-me com o que me dão.

Aprenderei a conquistar pra te mostrar como sou capaz.
Tomarei um mundo se possível pra te fazer saber o que estás perdendo.
Se antes oferecia-te carinho,
Hoje só lhe tenho ódio.

Vou-me porquê folhas não me restam.
Nossa história não terá desfecho feliz nem triste.
E para que não perguntes por mim:
Vivi feliz para sempre.

Postado por Armando Moya em 04:25